segunda-feira, 17 de novembro de 2008

DEPOIS DE MUITOS ANOS DE CUMPLICIDADE ELE DECIDIU TERMINAR...

Tinham sido muitos anos de cumplicidade, de proximidade, de companhia, de desabafos... Mas agora tudo chegara ao fim: a relação entre eles esfumou-se! Não mais um toque com as mãos nem com os lábios. A separação adivinhava-se difícil mas ele não podia voltar atrás: a relação tinha atingido um ponto de não retorno, onde não havia volta a dar-lhe... tantas vezes que ele tentara terminar, cortar, mas acontecia sempre algo que o impelia a retomar, a continuar, por vezes até influências externas dos ambientes e das pessoas próximas!

Na hora do adeus muitas recordações ficavam na memória: os momentos quentes, a solidão partilhada, um fogo ténue que iluminou muitas noites, uma varanda por companhia, o jogo das mãos, os lábios sensíveis... é claro que ele não iria esquecer todos esses pormenores mas decidira que seria bem melhor para si parar por ali...

... O mesmo lhe dissera o médico: se ele não deixasse de fumar poderia arranjar um grave problema de saúde...

(Porque hoje é o Dia do Não Fumador)

domingo, 16 de novembro de 2008

A PULSEIRA MÁGICA!

30 anos depois ele voltou à praia das rochas onde tinha estado com alguém de quem nunca mais soubera o paradeiro. Nesse dia longínquo essa pessoa tinha-lhe feito uma pulseira em cabedal, entrançada, tão bonita como ele nunca vira.

Ele recordou que nesse dia tinha posto uma pergunta a essa pessoa, mas ela em vez de responder disse-lhe para ele escrever essa pergunta na parte mais larga da pulseira de cabedal e lha devolver... então, ela escreveria a resposta por baixo, colocaria a pulseira num orifício de uma das rochas que lhes dava sombra naquele dia quente e quando ela se ausentasse ele poderia lá ir tirar a pulseira feita por ela e descobrir a resposta...

Ele concordou e ansiou que chegasse a hora de ir ver a resposta... ao fim da tarde ela foi embora e ele esgueirou-se rapidamente para a rocha até porque a maré estava a subir... mas qual não foi a desilusão, a água subira muito depressa e as ondas levaram consigo a pulseira de cabedal entrançado que ela fizera para ele... com uma resposta de vida lá escrita!

Naquele tempo não havia telemóveis nem as deslocações eram tão fáceis como hoje! Eles nunca mais se viram, o desgosto acompanhou-o durante muitos anos, era como se a sua vida tivesse ficado pendente... mas o tempo - esse tempo rude, violento e implacável - (quase) tudo resolve e ele nunca mais lembrou o episódio até esse dia em que pisou de novo as areias daquela praia.

A maré estava baixa, a rocha - a mesma rocha - estava lá! Sorrio para consigo próprio, e de repente foi como se recuasse 30 anos na vida... espreitou para o orifício assinalado há tanto tempo, descortinou qualquer coisa lá dentro... os seus dedos já eram maiores do que naquela altura mas conseguiu lá metê-los, puxou uma coisa castanha escura, mirou-a na sua mão e descortinou a pulseira que a água tinha levado há muito tempo... apressou-se a virá-la e a tentar perceber umas letras muito sumidas... a resposta chegara 30 anos depois... ele sentou-se na areia e apagou dois terços da sua vida...

sábado, 15 de novembro de 2008

A VIDA POR VEZES TEM ACASOS QUE ATÉ O ACASO DESCONHECE...

Se fossem namorados teriam ido juntos ver o concerto do cantor preferido de ambos. Mas isso teria sido há uns anos. Entretanto, o tempo passou e - como se sabe - o tempo é rude, violento, implacável: nunca mais se tinham visto, sequer falado, no princípio ainda enviavam uns sms de bom aniversário ou de boas festas mas até isso se foi desfazendo com o tempo... o tal tempo rude, violento, implacável!

Ao entrar no recinto do concerto ela não podia deixar de pensar nele, afinal ao longo dos últimos anos, desde que se afastaram, houve sempre um momento ou outro, um símbolo ou outro que faziam a memória funcionar - e afinal eles até haviam estado ali naquele local, na altura a assistir a outros concertos com outros artistas.

Ela foi sozinha ao concerto! Não era habitual andar sozinha, quando não tinha companhia não ia a estas coisas, mas a sua vida conhecera algumas alterações nos últimos tempos - o tal tempo rude, violento e implacável! - de maneira que entrou sozinha, olhou o bilhete com lugar marcado, não havia funcionário que lhe indicasse por isso ela fixou a fila (fila F) e o número da cadeira (6) e guardou o bilhete na mala... o espectáculo começou entre muitas palmas e entusiasmo...

Ele chegou ofegante ao recinto. Vinha sozinho e já estava atrasado, há uns anos que estava a viver fora da cidade e apanhara muito trânsito. Ainda por cima teve que estacionar o carro longe dali... o espectáculo já tinha começado, o recinto estava cheio de público, completamente escuro, a funcionária pediu-lhe o bilhete, apontou a lanterninha para o dito, encaminhou-o e no local certo entregou-lho murmurando: «Fila F, número 7, é mesmo ali»...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ELA TINHA UM DESGOSTO TREMENDO QUANDO SE OLHAVA AO ESPELHO...

Ela olhava-se todos os dias ao espelho e ali ficava longos minutos. Apalpava o rosto, o cabelo, o pescoço, o nariz, punha a mão na testa e o seu desgosto era sempre o mesmo! Desde muito pequena que vivia com aquele tremendo desgosto, mas em pequena não sabia bem explicar a angústia. Agora, sim, já era adulta e conhecia as razões de tão profunda decepção.

Mas como poderia ela resolver aquele problema. Que soubesse ninguém até hoje conseguira superar aquela questão, mas se calhar os outros não pensavam tanto nisso como ela... mas ela também não se importava com os outros, era consigo própria que estava preocupada e a cada dia que passava mais ansiosa ficava: afinal, se os outros que a rodeavam e que a observavam tinham acesso àquilo que ela não tinha, considerava isso uma injustiça...

... Um dia foi a Londres! Em passeio! Nas visitas aos museus passou pelo Museu das Figuras de Cera e quedou-se demoradamente a observar algumas das estátuas! Eureka, exclamou ela, já tinha a solução para o seu dilema: se bem o pensou, melhor o fez, e mandou fazer uma estátua em cera do seu busto... afinal, ela nunca se tinha visto a 3 dimensões e carregava esse desgosto desde a infância! Agora com a estátua de cera até dispensava o espelho - onde só se via a duas dimensões - com a está tua ali estava ela como se imaginava na realidade... a 3 dimensões!!!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

ELA IRIA VIRAR TUDO AO CONTRÁRIO DENTRO DE MOMENTOS...

Ela estava com ele! Nos miminhos, nos beijinhos, no quentinho dos cobertores, meio deitados sobre o sofá, com o crepitar da lenha da lareira à sua frente... mas ela sabia que dentro de alguns momentos iria virar tudo ao contrário...

Talvez não fosse a noite ideal para fazer isso mas já tinha posto na ideia seguir em frente com aquela situação e nem o agradável da sala, da envolvente e do momento a demovia de virar tudo ao contrário... dentro de momentos... ela só esperava o momento certo... havia coisas que não podiam esperar e virar tudo ao contrário era uma delas...

A lenha continuava a cantar de mansinho na lareira e o ambiente mais os aproximava um do outro - um momento por que tanto ela esperara, meses, talvez anos... e agora teria que virar tudo ao contrário e cortar com aquela magia... mas ela era uma mulher determinada, se tinha decidido virar tudo ao contrário teria que o fazer... imperativamente!

Soou a hora! A muito custo ela ergueu-se do sofá, afastou os cobertores, olhou o lume, murmurou qualquer coisa imperceptível e saiu da sala deixando-o sozinho no sofá... decidida dirigiu-se à cozinha... aí aproximou-se do fogão... abriu a porta do forno... pegou num garfo e... virou as batatas-doces todas ao contrário... até porque já começavam a ficar tostadas só de um lado...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

NO DIA EM QUE DESISTISSE DO SEGURO DE VIDA ELE SABIA QUE IRIA TER UM ACIDENTE...

Ele pagava um seguro de vida caríssimo. Certo que cobria uma série de tragédias mas na hora da verdade se alguma tragédia acontecesse ele desconfiava se seria realmente ressarcido pelo seguro: a burocracia e a especialidade de as companhias de seguro darem a volta às questões não auguravam nada de bom!

Ele já queria ter terminado com o seguro mas havia um pensamento que o assaltava sempre que ele pensava nisso: é que no dia seguinte a que ele desse baixa do seguro algo de muito trágico lhe aconteceria... e nesse caso ele arrepender-se-ia bastante, quiçá, para o resto da vida... se sobrevivesse!

Mas com a crise as coisas não estavam fáceis e ele tinha que tomar de uma vez por todas a resolução que vinha a adiar há alguns anos... embora a ideia de que algo muito grave aconteceria logo a seguir não o abandonasse... Naquela manhã foi à companhia de seguros, encheu o peito de ar e nem o funcionário dos seguros o conseguiu demover da decisão irreversível...

O acidente foi enorme! Um despiste a alta velocidade, o carro ficou totalmente desfeito e o condutor da viatura irreconhecível. Uma tragédia terrível na auto-estrada, e isto poucos dias depois de ele ter dado baixa do seguro de vida... Bom, mas ele voltou a encher o peito de ar e aguentou pacientemente no engarrafamento que se formara por causa do acidente...

Afinal, ele ia receber o 1.º prémio do Euromilhões - que lhe tinha saído uns dias antes - bem podia esperar mais uns minutinhos até ficar... RICO... e não precisar de seguros de vida...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

ELE TINHA-AS TODAS À SUA DISPOSIÇÃO...

Ele tinha-as todas à sua disposição. Era só escolher por onde começar - nem todos se podiam dar a esse privilégio, mas ele era especialista em lidar com determinadas situações... e saía-se sempre bem!

Elas não eram todas iguais, não há duas iguais e as pessoas sabem bem disso: havia uma mais esterlicada, outra mais cheinha, outra mais clara, outra mais escurinha, uma com a pele mais macia, outra mais rija... mas no fundo eram todas bonitas, apelativas e saudáveis...

Algumas começavam já a ficar despidas para participar na festa, outras eram mais recatadas e mantinham a sua pose até chegar a altura apropriada... Não vinham sozinhas, traziam excelente companhia e a festa ia começar...

... «Sim, senhor!», pensou ele, «que ricas castanhas encontrara»! E que belo S. Martinho ele ia ter acompanhado de boa água-pé, de bom queijo, de bom caldo verde... as castanhas, essas, estavam quase no ponto... BONITAS, APELATIVAS, SAUDÁVEIS E... APETITOSAS!!!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

ELE PERCORRIA LONGAS DISTÂNCIAS PARA TER PRIORIDADE À DIREITA!

Ele estava emigrado em França há muitos anos. Era quase mais francês que português! Mas os genes, ai os genes, esses eram genuinamente portugueses. E na condução, então, isso vinha mesmo ao de cima: gostava de pisar no acelerador e não tinha paciência para estar no trânsito (apesar de tudo, sorte dele não estar em Portugal!)

Como se sabe, em França a prioridade nos cruzamentos e nos entroncamentos, é à direita! Aliás, o código é igual para todos, mas em Portugal há quem não saiba distinguir entre a direita e a esquerda.

Pois bem, ele - como não tinha paciência para estar parado nas filas de trânsito - preferia dar uma volta maior, ou várias voltas, ou muitas voltas, só para apanhar a direita e assim ter prioridade nos cruzamentos. Bom, é claro que às vezes ainda perdia mais tempo com essas voltas todas, mas ele era assim, preferia andar do que estar parado...

... Chegado a Portugal - e sem paciência para o tremendo trânsito ao redor das cidades - decidiu agir da mesma maneira que fazia em França: percorrer as distâncias que fossem necessárias para apanhar as prioridades à direita e assim evitar as longas filas de espera... mas enganou-se, coitado! Em Portugal tanto fazia ele ir para um lado como para o outro, não havia direita para mim... por mais quilómetros que fizesse via a prioridade à direita por um canudo... regressou a França, naturalizou-se francês e nunca mais cá voltou!!!

Extra: ainda há pouco na AE ia uma moça a conduzir o seu automóvel na faixa do meio, a 70-80 à hora e a enviar sms do seu telemóvel - pois, eu tento compreender, há coisas que não podem esperar, se calhar estava atrasada para ir ter com o namorado, mas se ela queria enviar sms... bem poderia ter escolhido a faixa da direita para o fazer... ou melhor, bem podia ter esperado sair da AE!!!

domingo, 9 de novembro de 2008

ELES JÁ TINHAM EXPERIMENTADO EM TODO O LADO...

Eles já tinham experimentado tudo, em todo o lado. Mas não estavam satisfeitos! Já tinham experimentado na sala em vários sítios, perto da mesa, ao lado da lareira, até por cima do sofá! Mas nenhuma das posições os tinha deixado satisfeitos!

Já tinham experimentado no corredor: frente à porta da rua era chato por causa dos vizinhos, perto do móvel e do espelho era incómodo porque o corredor ficava mais estreito e o efeito diminuía. No escritório, sim, no escritório, também já tinham experimentado. Perto da secretária do computador até não era mau, ainda tentaram perto da janela mas o efeito não foi o melhor.

No quarto parecia ser uma boa solução. Lá tinham a cama, como era normal, mas pareceu-lhes pouco criativo experimentar no quarto, afinal o quarto era o local mais usual para aquelas coisas. Resolveram experimentar na cozinha! Sim, na cozinha era giro, a bancada e os electrodomésticos davam um aspecto exótico à acção.

Mas mesmo assim ainda não ficaram satisfeitos. Pensaram na casa-de-banho, mas era muito húmido para fazer isso, a despensa demasiado apertada - e eles gostavam e precisavam de espaço -, só restava mesmo a marquise... mas na marquise o que diriam os vizinhos?

Não era habitual fazer isso nas marquises mas eles estiveram se lixando para a opinião alheia. Apetecia-lhes e pronto... ia ser mesmo na marquise, afinal nunca tinham feito lá nada, a marquise era perfeita, até podiam abrir um pouco a janela se fizesse calor...

... E assim foi: ele pegou no martelo, ela foi buscar o escadote e penduraram o quadro que lhes tinham oferecido como prenda do aniversário de casamento. Depois de tanto hesitarem e de terem experimentado pendurá-lo na sala, no corredor, no escritório, no quarto, na cozinha... decidiram-se finalmente pela marquise! Não era habitual pendurar quadros nas marquises mas eles não se importavam com as opiniões alheias...

sábado, 8 de novembro de 2008

ELE TEVE A MELHOR NOITE DE SEMPRE NA SUA VIDA!

Há muito tempo que ele andava a planear uma noite assim! E pondo o seu plano em acção acabou mesmo por ter uma das melhores noites da sua vida. Melhor: teve mesmo a melhor noite de sempre da sua vida!

Uma noite diferente, com laivos de perversão, uma noite quente, onde o carinho e a sensualidade foram a pedra de toque. Uma noite que nem toda a gente está disposta a fazer, porque não é habitual as pessoas terem aquelas atitudes!

Mas foi uma noite que valeu bem a pena. Na manhã seguinte ele acordou bem disposto, pronto para enfrentar o dia com outra atitude! Sentia-se bem consigo próprio, tinha feito planos e eles tinham resultado em pleno! Se os outros soubessem como ele tinha passado a noite bem podiam criticá-lo mas ele não se importava com isso...

... dormir num saco cama em casa sempre fora um sonho que ele acalentara desde miúdo e agora tivera a possibilidade e a oportunidade de realizar esse sonho! Sentiu-se criança outra vez... até porque os adultos não dormem em sacos-cama dentro de casa!!!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O HOMEM DAS LUVAS PRETAS... MAIS UM!!!

As luvas pretas ficavam-lhe que nem uma... luva!!! E ele passeava com elas no Centro Comercial como se fosse um aristocrata dos velhos tempos. Luvas pretas tinham dignificado vários homens ao longo da história: Napoleão, João Alves, o futebolista, Artur Semedo, o actor e realizador... e agora ele!

Sentia-se importante com as luvas pretas - em especial havia sempre uma que ele não tirava, a da mão direita. A da mão esquerda lá tirava de vez em quando, mas a outra era como se fosse uma segunda pele. Por acaso era canhoto mas não lhe fazia diferença!

As pessoas olhavam para as suas luvas, em especial quando o Verão se manifestava na sua essência, mas ele não se importava. Ainda se sentia mais altivo. Comentava-se mesmo que ele nunca tirava as luvas, era uma incógnita, será que as tirava alguma vez na vida dele?

Sim, havia um local em que ele tirava as luvas mas ninguém sabia. Nem ninguém o via «despido» das luvas pretas. Sim, era exactamente na casa-de-banho... e nem de propósito o local onde ele precisava ir nesse momento (há coisas que não podem esperar) - foi então que pediu ao colega da ourivesaria para ficar um bocado no lugar dele enquanto ia ali e já vinha...

... aquele emprego em que ele tinha que usar luvas para mexer nos objectos de ouro e prata tinha vindo mesmo a calhar... que nem uma luva!!!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O MISTERIOSO ROUBO DA ANTENA DO AUTOMÓVEL!

Ele entrou no carro como fazia todas as manhãs e ligou o rádio para ouvir o trânsito e o tempo... como fazia todas as manhãs! Mas nessa manhã o rádio começou a fazer umas interferências esquisitas e incómodas, de tal modo que o impediu de perceber como estava a fluir o trânsito na zona para onde ia e que tempo faria ao longo do dia... Estranhou e antes de entrar na auto-estrada parou o carro na berma, abriu a porta e espreitou para o tejadilho: franziu o sobrolho... e tal como suspeitou, alguém tinha roubado a antena do carro!

«Ora, isso não se faz!», pensou ele, voltando para dentro do carro e dirigindo-se à auto-estrada! Quem rouba antenas de rádios dos carros merece ser bem amaldiçoado... Primeiro amaldiçoou a marca do carro: «porque razão não faziam antenas fixas para aqueles modelos?»... depois amaldiçoou quem lhe roubou a antena durante a noite... e mais ainda quando se viu bem no meio de um engarrafamento... acidente, de certeza, pensou! E a falta do rádio em boa frequência foi o responsável por ele ter sido apanhado no meio daquele tumulto...

E foi mesmo acidente: duas horas depois chegou ao local do dito e reparou que o carro acidentado - embora quase irreconhecível - era igualzinho ao seu. Era a única viatura, portanto parecia ter-se tratado de um despiste, mas de um valente despiste tal o estado em que tinha ficado o automóvel... será que tinham havido muitos mortos, ou só feridos, ou o condutor e os passageiros teriam escapado ilesos???

Curioso como era resolveu parar o carro e perguntar... cedo se apercebeu que o condutor - e único viajante no carro acidentado - tinha miraculosamente escapado sem ferimentos de maior, mas o carro, esse estava completamente destruído e irrecuperável (um carro com uma matrícula acabada de estrear, até fazia dó, ainda por cima o indivíduo só tinha seguro contra terceiros, portanto, adeus pópó!)...

Houve apenas uma coisa que escapou em bom estado... Ele olhou para o objecto e depois para o indivíduo do acidente e perguntou-lhe quanto é que ele queria por aquele objecto já que não iria precisar dele... e o indivíduo encolheu os ombros e respondeu: «olhe, fique com ela, afinal eu não paguei nada pela antena...»!!!